A civilização parece não respeitar a lei fundamental que criou para que pudesse existir. É proibido matar! Se existem práticas homicidas, os critérios de bondade e justiça não são cumpridos. Os assassinatos revelam o conflito irremediável entre a liberdade e a lei. A lei foi constituída para garantir o exercício da liberdade. No entanto, acaso deveríamos julgar livres os indivíduos que praticam crimes? Seriam eles livres em suas ações ou não? O critério de justiça determina a prisão (perda da liberdade) para quem cometer homicídio. Mas por que os pobres são condenados à prisão? Por que os chamados “crimes de colarinho-branco” não são punidos com a prisão? Observe que essas questões remetem ao chamado da reflexão ética. Em 1930, um médico vienense chamado Sigmund Freud – o criador da psicanálise – publicou um livro com o sugestivo título O mal estar na civilização. Nessa obra, Freud fez um diagnóstico do processo civilizatório e constatou que os seres humanos estão condenados a viver nesse conflito irremediável entre as exigências puncionais (a liberdade) e as restrições (as leis). Freud Retoma a clássica questão aristotélica que atravessa toda a história ocidental: O que os homens pedem da vida e o que desejam nela realizar? A resposta é categórica: a felicidade. Os homens querem ser felizes e assim permanecer. Toda ação tem em vista a conquista da felicidade. Par analisar por que nos afastamos desse propósito, Freud apresenta uma reflexão decisiva para pensarmos a Ética civilizatória como processa de felicidade: “Grande parte das lutas humanas centraliza-se em torno da tarefa única de encontrar uma acomodação conveniente – isto é, uma acomodação que traga felicidade – entre essa reivindicação do indivíduo (liberdade) e as reivindicações culturais do grupo (leis), e um dos problemas que incide sobre o destino da humanidade é o saber se tal acomodação pode ser alcançada por meio de alguma específica de civilização (religião, ciência, filosofia, arte) ou se esse conflito é irreconciliável”. A posição de Freud é clara: o conflito é irremediável. A tarefa da civilização é humanizar esse animal racional chamado homem. Acompanhando os argumentos de Freud na obra citada, podemos encontrar elementos para caracterizar o processo civilizatório construído pelos seres humanos. A civilização é concebida como tudo aquilo por meio do que a vida humana se elevou acima de sua condição animal. Os humanos são seres da cultura. A cultura é a morada do homem. O acesso aos bens culturais produzidos em toda a história é o que define nossa condição humana. O homem é um animal cujo maior desejo é tornar-se humano. A elevação apontada por Freud é o que diferencia dos outros animais. A vida humana difere da vida dos animais em dois aspectos: os conhecimentos e as capacidades adquiridas para controlar as forças da natureza; e os regulamentos (leis, normas, regras) para ajustar as relações dos homens uns com os outros. Na luta pela sobrevivência em um mundo sombrio e assustador, o animal racional teve de enfrentar três grandes desafios: o poder superior da natureza, que nos ameaça com forças de destruição, a fragilidade de seu próprio corpo, condenado à dissolução; e as leis que regulam suas ações sociais. Os conhecimentos científicos e tecnológicos procuram responder a esses desafios. As práticas religiosas, os sistemas de crenças também. As teorias filosóficas e as produções artísticas inserem-se nessa tarefa de encontrar caminhos para esses desafios humanos.
A PEDRA DA VERDADE SOLTA... PÔNEIEXsábado, 31 de agosto de 2013
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
A LEITURA NOS FAZ VIAJAR...
Ler é muito importante. Acredito que ler é o que nos dá caminho para seguir tentando compreender as coisas. Leitura é cultura, por isso leio muito sim, sobre diversos temas, mesmo que não me interessem muito, pois é importante sabermos de tudo um pouco. Quanto mais lemos, mais aprendemos, nosso vocabulário se enriquece e passamos a ter facilidade também na arte de escrever... Não se resolve tudo lendo, nem escrevendo, mas o livro, os textos, os poemas, tudo praticamente nos dá a visão abrangente e diferenciada daquilo que a ignorância nos fecha. Acho que essa é a questão. A leitura nos faz viajar, sorrir, chorar, pensar, imaginar, tudo. Ela é nossa fuga da realidade e também nosso arremessador para ela. Tudo ligado.
A pedra da verdade... Pôneiex.
A pedra da verdade... Pôneiex.
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